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domingo, 29 de março de 2009

Sarkozy ameaça renunciar ao principado de Andorra se não se alterar secretismo bancário

O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, ameaça renunciar ao título de co-príncipe de Andorra caso este principado – tido como um paraíso fiscal – não mude a legislação bancária “de secretismo” que pratica, foi hoje revelado por fonte governamental de Paris.
O pequeno território de Andorra, co-governado f
ormalmente pelo chefe de Estado francês e o bispo espanhol de Seu d’Urgell, está na “lista negra” dos centros financeiros “não cooperantes” da Organização mundial para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
Sob pressão de uma campanha global para pôr termo às fraudes fiscais, aos paraísos fiscais e ao secretismo bancário, o principado prometeu este mês que levantará o segredo bancário nos casos em que se apliquem os acordos de troca de informações bancárias – e asseverou que terá legislação aprovada nesse sentido até Novembro de 2009.
Sarkozy está entre o grupo de líderes mundiais que têm vindo a criticar os paraísos fiscais e o segredo bancário, sobretudo desde a crise financeira global, e a instar a uma maior e mais dura acção contra estas práticas – uma ideia, de resto, que irá reiterar na cimeira do G20, dentro de uma semana, em Londres.

( Retirado do jornal PÚBLICO - 26.03.09 )

sábado, 28 de março de 2009

Demitido pela Crise


Após a queda dos governos da Islândia e da Letónia, o primeiro-ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany, propôs demitir-se, dia 21, durante o congresso do Partido Socialista que lidera.

O anúncio de Gyurcsany apanhou de surpresa os delegados que tinham acabado de o reconduzir na liderança do partido por 85 por cento dos votos. Mas o primeiro-ministro húngaro decidiu lançar a toalha ao tapete e no seu discurso final admitiu não estar em condições de encontrar uma solução para o país. «Compreendo que sou um obstáculo à cooperação política necessária para aplicar as reformas. Espero ser o único obstáculo, já que vou eliminá-lo». A capitulação de Gyurcsany não é porém de estranhar dada a situação desesperada em que se encontra a economia, após quase duas décadas de destruição do aparelho produtivo construído pelo socialismo e da entrega do país à especulação capitalista e a políticas de casino para captar investidores estrangeiros. Mas não foi nenhum rebate de consciência que levou Gyurcsany a colocar o seu lugar à disposição. Este socialista que traiu os ideais comunistas para prosseguir a sua alegre carreira política ao serviço do capital, sabe que é cada vez mais contestado pelo povo. No poder desde 2004, as sondagens apenas lhe atribuem 23 por cento de apoio, a mais baixa quota de popularidade de sempre no país. Procurando sobreviver politicamente, Gyurcsany resguarda-se por enquanto na liderança do partido e propõe que o Parlamento aprove uma moção de censura «construtiva» de modo a evitar a convocação de eleições antecipadas, sancionando o novo primeiro-ministro que deverá ser escolhido no dia 5 de Abril. Em tempo de vacas magras, Gyurcsany não vê possibilidade de ganhar as eleições legislativas de 2010 e entende que o melhor é sair de cena, para que sejam outros a aplicar as draconianas medidas anti-sociais prescritas pelo FMI como condição para salvar o país da bancarrota.


( Retirado do jornal português Avante! - 26.03.09 )